| Revista do CLUBE DOS OFICIAIS DA MARINHA MERCANTE |
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Nº 73 |
Março/Abril 2006 |
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Capa: Gil Eannes de José Rasquinho
Editorial
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O Clube e o Epicurismo |
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Epicuro de Samos, filósofo grego, nascido em Atenas no século IV a.C., foi o fundador de uma corrente filosófica cuja prática pretendia conduzir o Homem a uma vida feliz e aprazível, livre de qualquer temor ao destino, às fatalidades, aos deuses e à morte. Epicuro, pessoa fidalga e refinada, de fino gosto e de nobres sentimentos, foi mestre na sabedoria aristocrática, no gosto pela beleza, na cultura superior e no usufruto dos prazeres quotidianos, quer fossem estéticos, intelectuais ou materiais. São famosos os seus jardins onde, num sereno e requintado ambiente, supostamente semelhante ao dos deuses, criou uma pequena sociedade que se entregava à prática tranquila dos seus princípios filosóficos de vida e na qual o factor predominante era o cultivo e o vínculo da amizade entre os seus membros. Terá sido, certamente, a primeira associação epicurista da História. |
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O epicurismo conheceu, desde logo, rápida difusão no sábio e culto mundo grego e a seguir, no seio da aristocracia do império romano, aqui já com os excessos e desvios que conhecemos das célebres orgias romanas. Com o advento da Idade Média, carregada de religiosidade e obscurantismo, o espírito epicurista foi esquecido para regressar de novo na Renascença, condizendo com o espírito humanista e mundano da época e em particular com a vida requintada e apreciadora das artes que era levada nas cortes dos reinos da Europa. Voltou o epicurismo a ser esquecido nas sociedades modernas, com a revolução industrial e com o Homem a dedicar-se à causa da criação de riqueza material mas parece querer ressurgir hoje nas sociedades ocidentais da abundância, do tédio e do isolamento individual. É aqui que entra, finalmente, este nosso Clube que tenho para mim como uma pequena sociedade de espírito epicurista. Não consigo deixar de pensar em Epicuro quando, numa roda de amigos, numa sala do Clube, se resgatam do passado histórias do mar num autêntico exercício de retornar ao presente momentos de prazer e partilhá-los. É pura prática epicurista sentarmo-nos tranquilamente a uma mesa a falar da vida do Clube e do nosso presente, não com o ar grave de quem discute o futuro sombrio da Humanidade mas sim com a informalidade e o prazer simples de quem degusta um bom queijo e melhor vinho. É animado do melhor espírito epicurista que, no final de um daqueles dias em que tudo parece correr-nos mal na vida, me dirijo ao Clube com a certeza de que aí vou encontrar um devoto barman que me vai servir o mais caprichado gin tónico com o qual farei um brinde com os amigos, também eles epicuristas, sem o saber, que aí estarão e me vão ajudar a recuperar um feliz estado de alma. O Clube será, evidentemente, aquilo que os seus sócios quiserem que ele seja mas para mim será sempre, antes de mais, um excelente e exclusivo Clube Epicurista. Gaspar Pedro Presidente da Direcção |
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Ficha Técnica: Publicação Bimestral - Distribuição gratuita sócios COMM |
| Propriedade: Clube de Oficiais da Marinha Mercante |
| Tv. S. João da Praça nº 21 - 1100-522 LISBOA Tel./Fax : 218880781 E-mail: comm@sapo.pt Web site: www.comm-pt.org |
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Reg. Publ. Nº 117898 Depósito Legal Nº 84303 Correio Editorial : Despacho CTT DE0532004DCL |
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Director: Daniel c. Spínola Pitta |
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Colaboraram neste número: A. Fontes/Ferreira da Silva/Luiz Caldas/Mário Damas |
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